Em meio a uma multidão de rostos vazios, sem significado algum, estou perdida. E é assim que eu me sinto: perdida. Rodeada por uma multidão de desconhecidos, que eu daria tudo para ser você, ao invés de tantas pessoas estranhas, de rostos estranhos. E de alguma forma, eu me vejo olhando ao redor, nessa multidão em busca de um rosto. De olhos castanhos e brilhantes. Do seu rosto. De um rosto que eu deveria odiar ou simplesmente nem me lembrar, mas que sempre volta. Porque ao invés de toda a razão que a minha cabeça insisti em me lembrar, eu ainda te procuro no meio dessa multidão.
Mas é fácil, certo? Fácil pensar em você caminhando perto de mim, mas eu não consigo vê-lo. É como se eu tivesse que estar atenta a todos os detalhes, não deixar nenhum passar, pois assim deixaria você passar bem diante de mim. Então, preciso olhar, olhar a multidão se erguendo diante de mim, à sua procura. Uma busca incansável.
Mesmo sabendo que você nunca estará ali. Nunca virará o rosto, sabendo que de alguma forma estou perto, e sorrirá para mim. São apenas ilusões, minhas ilusões que eu ainda insisto em acreditar.
Mas depois de tanto procurar, eu finalmente percebo que não há o que procurar. Você nunca estará lá.
E então, depois de finalmente perceber meu erro eu digo a mim mesma como sou burra, uma idiota completa. Depois, vem a dor no peito e o nó na garganta aperta. E a única coisa que eu quero é chorar, mas não consigo. E então, uso as minhas últimas forças e caminho pela multidão sem fim. E percebo que estou mais do que sozinha. Estou encurralada na minha própria ilusão de achar que você era algo que nunca foi. E mais uma vez eu percebo, -mas tento fingir que não sei- que você não era quem eu pensava, o garoto pelo qual me apaixonei, e que você nunca vai mudar.
E é assim que eu continuo andando, sem rumo algum. Porque a verdade é dolorosa demais e está apertando meu peito: eu me enganei sobre você, o tempo todo! Eu achava que conhecia o menino tímido e então pude ver ele se transforma -não, se revelar- em um garoto completamente diferente.
Mas algo vem a minha cabeça. Suas ações mudam rápido demais, como o dia vira noite e mal notamos. Elas mudaram, outra vez, e eu não sei mais o que fazer. Porque o que vejo é irreal demais. Quando aceito olhar para frente eu não consigo mais respirar. Acho que estou louca, mas não. Pois finalmente percebo você na minha frente, olhando o chão em busca de algum consolo.
Não é mais uma ilusão, é real. E eu não sei que decisão tomar. É como tentar pensar se é certo gostar de você ou não. Carne o osso na minha frente, eu posso sentir seu calor. E com as mãos tremulas e o coração preste a voar pela boca, eu fecho os olhos e dou meia volta. E por fim, posso ouvir um último som, tremulo, e tão vivo, como as cores do pôr do sol.
É um som de arrependimento, de angustia, de solidão. Mas que não irá mudar nada. Não irá fazer meu coração se concertar. Não irá passar a magoa instalada nos buracos obscuros do meu coração.
ASS: Amiga 1

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